Sistema Único de Saúde: 30 anos de avanços e desa>os* Em 2018, o Sistema Único de Saúde (SUS) completou trinta anos
de implantação pós- promulgação da Constituição Federal de 1988. [...]. Ao longo desse período, o SUS favoreceu avanços
em uma série de políticas de saúde, algumas reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde como exemplos de
experiências exitosas para outros países. O Programa Saúde da Família, inicialmente restrito a poucos municípios, expandiu
no território nacional atingindo cobertura de mais de 60% da população, com resultados positivos para a redução da
mortalidade infantil e de doenças cardiovasculares. O Programa Nacional de Imunizações, cuja história remonta aos anos
1970, ampliou a cobertura vacinal média de menores de um ano e incorporou novas vacinas direcionadas a grupos
populacionais específicos, como a vacina contra HPV (papilomavirus humano) para adolescentes e contra a gripe (influenza)
para idosos. Em relação às ações de prevenção e tratamento da aids, destaca- se a melhoria do acesso à terapia
antirretroviral que resultou em aumento da sobrevida de pacientes infectados pelo vírus da imunode>ciência adquirida e
portadores da doença, bem como diminuição na incidência graças à baixíssima carga viral entre os portadores tratados.
Estudos revelam ainda a abrangência e a efetividade da política brasileira de controle do tabaco, que reduziu a prevalência
de fumantes de 29% para 12% entre homens, e de 19% para 8% entre mulheres, no período de 1990 a 2015. Mais
recentemente, a existência de um sistema de vigilância atuante permitiu a detecção do aumento do número de casos de
microcefalia e o levantamento da hipótese de sua associação causal com a infecção congênita pelo vírus Zika, que tiveram
desdobramentos importantes para implantação de uma estratégia coordenada no controle da epidemia em âmbito
internacional e nacional. Nesses e em outros casos de sucesso, o SUS possibilitou a construção de uma base técnica e
institucional de sustentação das políticas de saúde, ancorada na atuação de grupos e organizações majoritariamente
setoriais, no marco constitucional (reconhecimento do direito à saúde) e em regulamentações especí>cas, no
>nanciamento público (mesmo que insu>ciente) e na ampliação de insumos, ações e serviços. Entretanto, esses avanços
foram contrabalançados pelas di>culdades de assegurar as transformações políticas, sociais e econômicas necessárias para
a redução efetiva das desigualdades, a garantia da justiça social e a materialização da universalidade do direito à saúde no
Brasil. (*Adaptado de: LIMA, Luciana Dias de; CARVALHO, Marilia Sá; COELI, Cláudia Medina. Sistema Único de Saúde: 30
anos de avanços e desafios. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 34, n. 7, e00117118, 2018.)
Uma das principais diferenças do atual sistema de saúde pública brasileiro em relação ao sistema vigente antes da promulgação da Constituição Federal de 1988 é, EXCETO: